sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DO SANGUE DE CORDÃO UMBILICAL

Especialista fala da importância da criopreservação para a cura de doenças

"Deve haver maior conscientização da sociedade, para não jogar no lixo o sangue do cordão umbilical, pois é rico em células-tronco e pode ser muito útil na qualidade de vida do paciente", explica especialista

Por Renée Staudinger (redacao@eshoje.com.br).

Assunto pouco conhecido e muito comentado, as células-tronco ainda geram polêmica entre cientistas, crenças religiosas e a população. Essas células são de diversos tipos e ajudam no tratamento de mais de 80 doenças de sangue, como a leucemia. Para maior esclarecimento de médicos e estudiosos, o Banco de Cordão Umbilical do Brasil (BUC) está promovendo palestras que vão abordar a importância da coleta e armazenamento das células-tronco.

O evento acontece nesta quinta-feira (12) e conta com a participação da presidente do Instituto de Pesquisa em Célula-Tronco (Ipctron) e pesquisadora do Banco Umbilical de Células Tronco em São Paulo, Lílian Piñero Eça.

Durante a "Aula Magna sobre Células-Tronco", ministrada pela pesquisadora, que é doutora em biologia molecular, será discutida a importância da preservação do cordão umbilical por ser responsável pela regeneração de vários órgãos do corpo humano. A criopreservação é uma técnica de preservação em baixas temperaturas e é utilizada para resguardar o cordão umbilical em uma temperatura de -196º.

"É muito importante levar informações, principalmente, à classe média sobre a criopreservação do sangue do cordão umbilical. Deve haver maior conscientização da sociedade, para não jogar no lixo o sangue do cordão umbilical, pois é rico em células-tronco e pode ser muito útil na qualidade de vida do paciente", afirma Lílian Piñero Eça.

Os tratamentos com células-tronco variam de R$3 mil a R$6.500 mil em hospitais particulares, mas fornecem mais de 60 tipos de tratamentos como câncer, Mal de Alzheimer e cardiopatias. Além disso, os transplantes podem ser realizados em hemocentros que têm convênios com entidades governamentais.

"O tratamento com células-tronco não deve ser visto como um tratamento custoso, pois além de ser essencial na recuperação do paciente, pode ser pago em 10 vezes e geralmente saí a 50 reais por mês. Além disso, a nossa cultura coloca a beleza em primeiro lugar e a saúde que é primordial, fica sempre em segundo plano. Um valor como esse, por mês, é usado com roupas e o tratamento feito com remédios acaba saíndo três vezes mais caros", comentou Eça.

As células-tronco embrionárias e as células-tronco adultas são obejto de discussão e desconhecimento entre a população e, até mesmo, os médicos. As células-tronco extraídas de tecidos adultos são realizadas através do cordão umbilical e da medula óssea, já as células embrionárias dão origem a apenas alguns tecidos do corpo e podem ser perigosas a saúde humana.

Outra polêmica é a lei de Biossegurança, que visa regulamentar as pesquisas com células-tronco e a produção e comercialização de organismos geneticamente modificados como, por exemplo, alimentos transgênicos, promove opiniões diferentes entre cientistas da área.

"Essa lei é política. Por trás dela, há interesses econômicos e políticos, pois a maior empresa de transgênicos do mundo (Monsanto), utiliza esse recurso para deixar os produtores dependentes de seus produtos. Além do mais, os alimentos transgênicos são altamente cancerigenos e, por isso, sou completamente contra a essa lei. Para que usar célula embrionária em humanos? Manipular embriões em busca de células-tronco é extremamente perigoso a saúde humana", explicou a doutora em biologia molecular.

Fonte: ESHOJE

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